15.9.06

João sem nome.

Passa correndo o João,
p'ra não perder o trem.
De marmita na mão,
sempre correndo ele vem.

Arroz, ovo e feijão,
a marmita dele tem.
Bife, peixe e galinha não,
pois dinheiro só no mês que vem.

Ao chegar na construção,
no andaime ele sobe.
De ferramenta na mão,
pois trabalhar é a vida do pobre.

Na hora da saída,
no meio da multidão.
Logo todos de partida,
lá vai João de roldão.

Na Central do Brasil,
p'ra pegar o marmitão,
só correndo a mil.
E apertado vai João...

Em casa no portão,
ao abrir a fechadura,
dá de cara com o ladrão,
que lhe rouba até a dentadura.

Ao pensar na situação,
sabe ele que de agora em diante,
a vida segue na contramão,
pois já não é mais um retirante.

Escrito em 02.10.81

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